http-equiv=’refresh’ content=’0; Boulevard of Ideas: A hora do Adeus

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

A hora do Adeus



A morte é a única certeza da vida. Mas quando ela vem de supetão, a tristeza inerente ao ocorrido se soma ao choque e o baque é ainda maior. É inexplicável. Nem todas as lágrimas do mundo são suficientes para aliviar o peso que se instaura em nosso coração. Nenhuma palavra conforta. A saudade sufoca.

Você tenta lembrar nos mínimos detalhes aquele último momento, agarrando-se às últimas lembranças para não deixar nada passar. Você fica com raiva, tenta achar um culpado, e se frusta com a banal explicação de que simplesmente a vida é assim.

Seu sofrimento se reflete nos olhos dos que sofreram a mesma perda e você se pergunta se sua aparência também é tão desoladora.

Você erroneamente se engana achando que a idade e as experiências vão te deixando mais calejado, mas a verdade é que ninguém nunca está verdadeiramente preparado para lidar com a presença constante da ausência.

O tempo se torna um paradoxo. Ao mesmo tempo que você quer que ele passe mais rápido para amenizar a dor, você teme que muitas memórias também fiquem pelo caminho.

Mais do que a palavra morte, a que dói mais acaba sendo "nunca". O definitivo me apavora. E a saudade também.

Então, como desabafo, fica aqui o texto que fiz há quase dois anos.

Adeus

Por mais que seja página virada, é necessário que algumas coisas sejam registradas, pois assim se tornam fatos palpáveis ao invés de meros frutos da imaginação.

É necessário para o tempo. É necessário para a incerta ação deste sobre a minha memória para que eu não te esqueça.

Para que quando sua imagem ficar nebulosa e começar a desaparecer como uma nuvem que se esvai, mesmo que meu cérebro falhe, você ainda exista nessas páginas. Sobreviva em mim e à mim.

O registro também se faz necessário para que quando a dor da lembrança for insuportável, eu possa rasgar a página literalmente num gesto simbólico, tentando apagar do papel o que de certa forma já se tatuou em mim.

Mas sobretudo, o que é mais do que necessário é não te ver sofrer. Mesmo que eu tenha que te deixar ir. Porque é melhor morrer aos poucos todos os dias, do que se contentar com overdoses homeopáticas de alegria. 

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