http-equiv=’refresh’ content=’0; Boulevard of Ideas: Aerofobia

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Aerofobia



Todo aerofóbico já cansou de ouvir que "avião é o meio de transporte mais seguro do mundo". Dá licença? Tem gente que tem hipopotomonstrosesquipedaliofobia, medo de palavra grande (a pessoa surta só de ter que falar o nome da fobia dela, né?); bromidrofobia, medo de nhaca (imagina essa pessoa num transporte público, no verão, após o expediente, se até a gente "surta"...); caetofobia, medo de pelos e cabelos (nem precisa de filme de terror p/ assustar essa pessoa, basta mostrar o Primo It da Família Adams ou a playboy da Cláudia Ohana p/ pregar uma peça no sujeito); entre tantas outras estranhas, que a aerofobia pelo menos tem uma lógica. 

Por mais remotas que sejam as chances de morrer num desastre aéreo (uma em um milhão), elas existem e isso já é motivo suficiente p/ um aerofóbico tremer na base a cada "tripulação, preparar p/ decolar". Você nunca sabe se será parte desta estatística.

Afinal, você está dentro de uma caixa, há não sei quantos mil pés de altura, dependendo da habilidade de dois estranhos.

E a primeira coisa que falam antes de decolar é sobre os procedimentos de segurança: em caso de emergência máscaras de oxigênio vão cair (p/ te manter lúcido enquanto você morre? No, thanks) e bancos que ejetam e flutuam! DO QUE VAI ME ADIANTAR O BANCO FLUTUAR SE AQUELA P*** CAIR? CADÊ PARAQUEDAS?' (confessa, é isso que você também pensa)

Ocasionalmente, o tédio supera o medo. São longas horas em poltronas que na vertical ou "inclinadas" não se nota diferença, respirando aquele ar seco e o grande evento é quando vem a comida.


Para ter algo diferente para fazer, demoro mais que o habitual analisando aquela refeição triste e econômica, enquanto mordo um pão duro e bebo água para ajudar a engolir. Mas é um barulho diferente que ouço ou o aviso para se sentar e afivelar os cintos por causa de uma área turbulenta que começo a tremer mais que o avião. E este ciclo interminável se repete até o pouso. 


Constato que é verdade: não há ateu que não se converta diante de uma turbulência. Eu rezo p/ Deus, Zeus, orixás, tento acreditar que há uma força superior olhando por mim, porque vai que cola, né? Quando não há nada a perder, não custa tentar... 

Daí eu me lembro das falas de um sábio, e encaro como um mantra: "Face your fear. You have a fear of heights? You go to the top of the building. You're afraid of bugs? Get a bug, right? In this case, you have a fear of commitment. So I say you go in there and be the most committed guy there ever was." - Tribbiani, Joey em um diálogo com Chandler, em Friends. 

E se isso não resolver, pense que há sempre um jeito pior de morrer, como aquele menino que morreu após um bode, que ia ser sacrificado, pular de um prédio e cair na sua cabeça...

(Duvida? Veja aqui.)






Um comentário:

  1. Uma coisa é fato, em qualquer turbulência todo mundo sente um pouquinho de medo, mesmo que não demonstre.... Agora no meu caso, se o voo estiver ok, nem ligo, só fico entediada

    ResponderExcluir