http-equiv=’refresh’ content=’0; Boulevard of Ideas: Fevereiro 2014

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Oscar 2014

Oláááá,

uma pequena vitória pessoal: pela primeira vez conseguir ver todos os filmes indicados ao Oscar, antes da cerimônia! Eu sei que vocês pensaram "f***-se", mas é que esse é o tema do post de hoje como vocês puderam ler ali em cima no título.

Como não poderia deixar de ser, pelo menos 90% dos indicados a melhor filme tem mais de 2 horas, são baseados em fatos reais, tem a pretensão de serem comoventes, edificantes, mas não são tudo isso....

Vamos ao primeiro da lista: 12 anos de escravidão



Anota aí, esse vai ser o grande vencedor da noite porque tem tudo que a "Acadimia" curte: baseado em fatos reais, muita desgraça, separação da família por forças maiores, um triste episódio da história da humanidade como escravidão (já que não teve nenhum sobre o Holocausto ou conflitos em outros países p/s americanos salvarem o dia), aí de quebra também aborda o racismo obviamente, além de muita chibatada.

O filme ainda conta com o Sherlock Benedict Cumberbatch com todo seu sotaque britânico e Brad Pitt, always the nice guy.

Minha avaliação: ***

A Trapaça



Tem o Batman fazendo cosplay de gigolô de meia-idade, tem a Katniss dando mais piti do que em O lado bom da vida, tem a Amy Adams de babyliss com muito decote e pouco peito, e o Bradley Cooper com um visual de querubim do gueto. Eles querem dinheiro, aí tentam enganar uma gente aí, aí eu cochilei, aí a Jennifer Lawrence dá ataque de pelanca, aí eu cochilei de novo, aí abri os olhos e a Amy Adams não quis pegar o Bradley Cooper, aí eu cochilei, umas paradas aconteceram e depois de DUAS HORAS E QUARENTA MINUTOS ETERNOS o filme acabou.

Minha avaliação: ZzzzZzzz

O lobo de Wall Street



TRÊS HORAS DE FILME. Rola umas surubas, drogas, TRÊS HORAS DE FILME, DiCaprio se esforçando p/ finalmente ganhar o Oscar (e ainda não vai ser dessa vez), TRÊS HORAS DE FILME, o telespectador achando que o filme já tá acabando e não está nem na metade, grana, luxo, glamour, mais sexo e drogas. TRÊS HORAS DE FILME. Sei lá, esse filme poderia ser resumido num funk ostentação.


Minha avaliação: ** (pela cena dele se movimentando com metade do corpo dormente)

Ela

O cara se apaixona pelo Sistema Operacional do computador que é representando pela voz da Scarlett Johansson isso porque não é ela cantando, e é de longe o filme mais diferente e mais interessante entre os indicados. Mesmo sendo uma história de amor totalmente longe do convencional, ainda sim é doce e bonitinha.

Minha avaliação: *********³³³³³³³

Obs: COMASSIM O JOAQUIM PHOENIX NÃO FOI INDICADO COMO MELHOR ATOR? O CARA CARREGA O FILME NAS COSTAS!

Minha aposta é que leva como Melhor Roteiro Original.

Gravidade


A Sandra Bullock é uma engenheira espacial que se ferra quando a plataforma em que trabalhava é atingida e ela fica no vácuo literalmente. O filme é bem tenso e lembra um Poseidon no espaço pela luta pela sobrevivência que beira a uma missão impossível. Só não curti a sensação de estar fazer uma audiometria durante o filme todo.

Minha avaliação: ****

Acredito que leve nas categorias mais técnicas como efeito, fotografia, montagem...

Nebraska


Um senhorzinho, que começa a sofrer de demência, acredita que ganhou US$ 1 milhão após receber pelo correio uma propaganda. A história do filme é basicamente o seu filho tentando convencê-lo de que ele não ganhou a grana, mas com pena ao ver o pai acreditando firmemente naquilo, leva-o até Lincoln para "buscar o dinheiro", e no caminho, eles fazem uma parada na antiga cidade onde moravam, onde vão encontrar parentes e amigos que acreditando em sua história, mostram a verdadeira cara.

Mesmo sendo meio parado e em preto e branco, a história consegue cativar principalmente por mostrar como os idosos são tratados. E o Bruce Dern dá um show a parte.

Minha avaliação: **

Capitão Phillips


Confesso que deixei esse filme por último porque parecia ser o mais chato, mas sabe que o filme é bom? Tem ótimos momentos de tensão durante a perseguição e invasão do navio, além do sequestro do Tom Hanks. Preenchendo a cota África das indicações, não deve ganhar em nenhuma categoria, mas vale a conferida. Ah, também é baseado em fatos reais.

Minha avaliação: ***

Clube de Compras Dallas



Depois de escravidão e África, estava faltando a cota de doença que é ocupada por Clube de Compras Dallas,  e obviamente é baseado em fatos reais. Matthew McConaughey e Jared Leto fazem valer o filme com as mais de 2 horas de história chatinha, e olha que nunca pensei em ver o filme com eles por causa da atuação, mas eles mandaram muito bem.

Por que eles vão ganhar nas categorias de melhor ator e melhor ator coadjuvante? Porque tiveram que emagrecer p/ cara*** muito e a Acadimia adoooora doentes terminais com força de vontade p/ viver.

Minha avaliação: **

Philomena



Baseado em fatos reais (sim, mais um!), a Judi Dench é tão f*** que depois de ter levado ódio aos coraçõezinhos dos fãs de Harry Potter, a eterna Dolores Umbridge (acabaram de me avisar que ela não é a Imelda Staunton, mas é uma doppelganger então) te convence como a fofinha Philomena, uma senhora irlandesa que procura seu filho 40 anos após as freiras o terem tirado dela.

Eu fiquei encantada com esse filme, que é o meu preferido junto com "Ela", pela delicadeza em que contam uma história tão triste. E como jornalista, também é o tipo de história que eu adoraria poder contar um dia. Muito amor por Philomena ♥

Minha avaliação: *****²²²²

BÔNUS - Álbum de Família




DEEM O OSCAR PARA MERYL STREEP E A JULIA ROBERTS! A atuação delas está absurda nesse filme que é um "Tudo em Família" versão hard. E ainda tem o  Sherlock Benedict Cumberbatch (ele tá super cotado) e o Dermot Mulroney (o eterno charmoso de "O casamento do meu melhor amigo")!

Minha avaliação: *****

Obs: A Cate Blanchett está ótima e elegante (como sempre) em Blue Jasmine, o tio Woody Allen mandou bem de novo, mas não é bom o suficiente p/ nenhuma categoria. 

Quais são as apostas de vocês?

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Rachel Sheherazade: sinônimo de polêmica

Fala meus fieis leitores, tudo bem?



Com tanto ódio disseminado nesta rede que nos une contra a Rachel Sheherazade, como jornalista, quero palpitar e ouvir ler o que vocês tem a dizer. Contextualizando rapidamente para quem esteve em Marte e não sabe o que tá rolando, a jornalista em questão é âncora do Jornal do SBT e fez sua fama por comentar as notícias sem papas na língua, por assim dizer. Recentemente, em seu comentário sobre o rapaz que foi espancando e amarrado nu num poste no Rio de Janeiro, ela disse a seguinte frase: 

A atitude dos vingadores é até compreensível. O estado é omisso; a polícia, desmoralizada; a justiça é falha. O que resta ao cidadão de bem, que ainda por cima foi desarmado? Se defender, é claro", declarou a jornalista. "(…) O contra-ataque aos bandidos é o que eu chamo de legítima defesa coletiva de uma sociedade sem Estado contra um estado de violência sem limite”.

Obs: Antes de prosseguir,gostaria de deixar bem claro que aqui, não pretendo e nem vou questionar o ato em si, apenas a posição de Rachel enquanto jornalista de um jornal na TV aberta ao comentá-lo.


Primeiramente, devemos entender termos como liberdade de expressão e liberdade de imprensa. Veja abaixo o que Venício Lima, doutor em comunicação e autor do livro "Liberdade de expressão x Liberdade de imprensa", diz sobre o assunto:


"A liberdade de expressão é um direito individual, básico e fundamental, vinculado à pessoa, ao jeito da fala, da expressão do pensamento, etc. A liberdade de imprensa, muitas vezes, é confundida com a liberdade de imprimir, que surgiu num período que não havia nada parecido com o que chamamos de imprensa hoje. Nos documentos que falam sobre essa liberdade, há sempre uma distinção entre liberdade de expressão e liberdade de imprensa.O que, originalmente, era tido como imprimir manifestações individuais de pensamentos foi se transformando em liberdade de imprensa em função do surgimento de jornais e a transformação destes em grandes conglomerados, como as corporações que temos hoje.
 E isso foi se afastando cada vez mais da liberdade de expressão original, individual, do direito à fala. No entanto, os grandes grupos de mídia continuam fazendo uma equação entre liberdade de expressão e liberdade de imprensa que não se justifica. Só faria sentido na medida em que a liberdade de imprensa contemplasse o direito à comunicação que é direto de cada um, individualmente, de se expressar através de qualquer meio, inclusive destas instituições que se transformaram em empresas comerciais."

Caso ainda não tenha ficado claro, coloco aqui um fragmento de um artigo do Observatório da Imprensa sobre o assunto:


"A liberdade de imprensa e a de expressão não são excludentes. A liberdade de expressão é básica para a organização de um espaço público deliberativo onde se tematizam, debatem e discutem as questões de interesse geral, políticas, abertas à manifestação e intervenção de cada membro da comunidade. É ela quem garante os direitos individuais contra os abusos de poder, que impede que a imprensa seja submetida à ditadura da maioria, que terminaria por asfixiá-la.

A liberdade de imprensa, por sua vez, contribuiria para a livre circulação e socialização de informações e ideias com a preocupação de fiscalizar e controlar o abuso do poder e qualquer arbitrariedade contra os cidadãos. Nesse sentido, a liberdade de expressão necessita da liberdade de imprensa, cuja principal preocupação é realizar na e pela sociedade um espaço público e garantir o seu bom funcionamento. Neste contexto, o reconhecimento da liberdade de comunicação dos veículos não pode ser confundido com a liberdade de expressão dos meios de comunicação."

De qualquer forma, conforme expresso em nota do Sindicato dos Jornalistas de SPas opiniões emitidas por um jornalista durante o exercício profissional em seu  espaço de trabalho, em qualquer mídia, caracteriza-se como uma questão de liberdade de imprensa e não de direito pessoal. Para dar uma luz a estes profissionais em meio a tanta discussão sobre liberdade de expressão x de imprensa, foi criado o Código de Ética Profissional que determina as posturas que consideramos adequadas para o exercício da profissão. E este é o X da questão, o motivo de repúdio, ódio, contra a dita cuja.


De uma forma bem simplista, uma coisa é você falar numa roda de amigos que acha compreensível o ato já que o Estado é omisso e não oferece segurança ao povo, outra coisa é você falar isso no ar enquanto jornalista e formadora de opinião, já que embora possa não ter sido a intenção dela, a interpretação de uma grande maioria (que concorda e discorda dela) foi a de que "dá p/ entender porque lincharam o bandido". E por que isso é tão grave? Por que tanta polêmica? Aqui aproveito para citar a nota de repúdio do Sindicato de Jornalistas do Rio de Janeiro: "Sheherazade violou os direitos humanos, o Estatuto da Criança e do Adolescente e fez apologia à violência quando afirmou achar que 'num país que sofre de violência endêmica, a atitude dos vingadores é até compreensível'".

Eis os pontos do Código de Ética referentes aos Direitos Humanos:

Art. 6º É dever do jornalista:

I – opor-se ao arbítrio, ao autoritarismo e à opressão, bem como defender os princípios
expressos na Declaração Universal dos Direitos Humanos;

XI – defender os direitos do cidadão, contribuindo para a promoção das garantias
individuais e coletivas, em especial as das crianças, adolescentes, mulheres, idosos,
negros e minorias;

XIV – combater a prática de perseguição ou discriminação por motivos sociais,
econômicos, políticos, religiosos, de gênero, raciais, de orientação sexual, condição física
ou mental, ou de qualquer outra natureza.

Art. 7º O jornalista não pode:

V – usar o jornalismo para incitar a violência, a intolerância, o arbítrio e o crime;

Também atuando no sentido pedagógico que acreditamos que deva ser uma das principais intervenções do sindicato e da Comissão de Ética, realizaremos um debate sobre o tema em nosso auditório com o objetivo de refletir sobre o papel do jornalista como defensor dos direitos humanos e da democratização da comunicação.


Portanto, meus caros, enquanto jornalista, ela não pode sair falando o que bem entender, pois há um código de ética de sua profissão que deve ser respeitado antes de inflar suas narinas e proferir seus discursos revoltados, que deixada levar pela indignação, ainda termina com o chavão de "Aos que se apiedaram do marginalzinho, lanço aqui uma campanha: faça um favor ao Brasil, adote um bandido".


Sheherazade, faça um favor ao Brasil, pelo menos PENSE antes de abrir a boca.


Ah, e só uma dúvida, por que o rapaz amarrado num poste é marginalzinho e o Justin Bieber, com 20 anos na cara, está só passando por uma fase de revolta da adolescência? Até onde eu sei, pichar muro, dirigir alcoolizado, com a carteira vencida e resistir à prisão também são crimes, não? Contradição, meus caros, contradição a gente vê nos discursos desta senhora. 


Só p/ encerrar, minha opinião sobre o caso do menino é a seguinte: espancar a pauladas uma pessoa, deixá-la nua e amarrá-la num poste como se fosse um bicho é de uma crueldade tamanha, que por mais indignado que o povo esteja com a impunidade e falta de segurança nas ruas (e estão com toda a razão nisso), um crime não compensa o outro. Não vou proferir nenhum discuso pedante sobre o adolescente ser uma vítima social (até poque milhares de pessoas se encontram na mesma situação e é apena uma minoria que opta pela bandidagem), nem nada disso, só quis falar o que pensava rapidamente porque o blog é meu e eu tenho esse direito, oras hahahahahaha.  E agora passo a bola p/ vocês: o que acharam disso tudo? Da posição da Rachel Sheherazade, da ação dos "justiceiros"? Quero ouvir ler vocês!


Se você leu até aqui, obrigada e um beijinho na testa ;*