http-equiv=’refresh’ content=’0; Boulevard of Ideas: Setembro 2013

sábado, 21 de setembro de 2013

Rock in Rio 2013


Dizem que a segunda vez é melhor do que a primeira. Você já sabe o que esperar, está mais ou menos preparada para o que pode vir a dar errado e até aproveita mais. Pelo menos foi assim a minha segunda vez no Rock in Rio.

O dia 20, para mim, estava imperdível: Matchbox Twenty, Nickelback, Bon Jovi e, ainda de quebra, Frejat como atração nacional. Só poderia ser incrível, e foi (tirando o último e principal show, mas já falo sobre isso).

Shows de festivais são diferentes de shows individuais e o motivo é óbvio: nem todo mundo que está ali foi para ver o mesmo show, portanto, os artistas tem que se esforçar para montar um setlist que agrade tanto aos fãs quanto aqueles que nem conhecem muitas músicas da banda. Logo, priorizar os sucessos é a melhor saída. Afinal, excetuando os críticos, eu nunca ouvi alguém sair de um show reclamando que só tinha hits.

Frejat iniciou os shows no Palco Mundo com sucessos do início ao fim, tocando Tim Maia (Não quero dinheiro), Jorge Ben Jor (A minha menina); além de suas composições ao lado de Cazuza como: Malandragem, Bete Balanço, Exagerado, Maior abandonado; e seus sucessos já em carreira solo: Amor para recomeçar, Por você, e a recente O amor é quente. 

Não sei, mas Frejat me lembra de como o rock brasileiro costumava ser, e chega a bater uma saudade de uma época que nem vivi... Mas ainda bem que ele ainda está na ativa, nos proporcionando momentos como esse...

Ao contrário do que vinha fazendo até então, o Matchbox Twenty não abriu seu show com “Parade”, de seu último álbum, eles também aproveitaram o pouco tempo e resolveram emendar um hit atrás do outro, optando por começar com Bent. Disease veio logo em seguida, animando até quem estava meio descrente com “aquela banda que está no line-up e que eu acho que não conheço nada”. O ponto alto do show, acredito que tenha sido em Unwell, que é uma das mais conhecidas da banda aqui e foi recebida com bastante entusiasmo. Definitivamente eles deixaram um gostinho de "quero mais" e espero que eles retornem ao Brasil!

Após o Matchbox, foi a vez da banda mais criticada dos últimos tempos (e até hoje não sei o porquê de tanto ódio) e que, no entanto, eu sempre curti muito: o Nickelback, que já chegou mandando Animals e botando a galera p/ pular. Depois de Something in your mouth, Chad pegou o violão, e como havia prometido, tocou tudo o que os fãs queriam ouvir: Photograph, Far away, Stand together, Savin me, Too bad, Someday, Gotta be somebody, Rockstar, Figured you out, How you remind me e Burn it to the ground.  De longe, o melhor show da noite!

Lá para meia noite e pouca, o cinquentão cobiçado subiu ao palco. Com mais de 30 anos de carreira e inúmeros sucessos, Bon Jovi escolhe What the water made me, do último álbum horroroso deles, que só empolgou a galera por ser a primeira. Em seguida veio a aclamada You give love a bad name que já é boa, e cantada por 85 mil ainda por cima, ficou ainda melhor. Na terceira música, Jon já mostrou a segunda música totalmente dispensável do repertório, a chata e repetitiva Raise your hand. A partir daí, o público vai ter que aguardar três músicas até se empolgar de novo, porque Jon canta Runaway, e as também chatinhas (e parecidas), Lost Highway e Whole lot of leavin. Na sequência, vem a animada It’s my life que promete um up no repertório morno, mas mero engano... Depois de It’s my life, o show se arrasta numa sucessão de músicas dispensáveis que a muita gente nem conhecia como: Because we can, What about now, We've got it going on, Keep the Faith, You wanna make a memory, Captain crash and the beauty queen from mars e We weren't born to follow. Então, em Who says you can’t go home, para dar uma animada no show (não pela música, mas pela vergonha alheia), a tal mulher sobe no palco e dá o bendito selinho no Jon (até aí, beleza. Todas morrem de inveja, inclusive eu hahahaha), mas ela fica que nem uma pateta no palco tirando fotos descontroladamente, virando motivo de riso e avacalhando ainda mais o show que já não estava lá essas coisas...

Antes do bis, ele canta ainda I'll sleep when I'm dead, e o público dá uma animada com Bad Medicine e a dobradinha com Shout. Na volta, Jon parece que lembra como agradar e emenda três grandes sucessos: Dead or alive, Have a nice day e Livin’ on a prayer. Atendendo ao público, ele fez o favor de tocar Always, para compensar umas 15 músicas totalmente dispensáveis, de um repertório de 20 (21 com Always). 

Obs: os arranjos das músicas, para completar, estavam mais devagar. 

Obs2: Richie Sambora faz MUITA falta.


Algum desavisado pode falar que eu não curti o show porque não conhecia as músicas, e já falo que você está errado porque conhecia todas, e por isso mesmo achei uma escolha infeliz, principalmente em se tratando de um festival.

Por exemplo, eu olhava ao redor, e via as pessoas já extremamente cansadas e DE SACO CHEIO, sem cantar nenhuma música. Uma menina na minha frente ficou tão entediada que sentou no chão.

Quando ele perguntava “are you having fun?” ou algo do tipo, eu ouvi gente vaiando e fazendo o sinal de “mais ou menos” com a mão.

Vi muita gente indo embora quando viu que o repertório parecia ser uma causa perdida.

Claro que na TV não dá p/ ver isso, e não é “porque a Globo ou o Multishow não mostram” é simplesmente porque no meio de 85 mil, não dá p/ ver. Só estando no meio da galera.

Eu já tinha tido uma experiência frustrante com um show deles em 2010, quando eles foram na Apoteose, e mesmo com expectativas zero, eles conseguiram me decepcionar de novo. E de novo eu não ouvi Blaze of Glory ao vivo.

E minha indignação só aumentou quando eu li as “audibles” do setlist deles que foi divulgado pelo Multishow.

Seu Walter Mercado que abusou do Corega e que daqui há 100 anos vai estar a cara do Mick Jagger (p/ não chamar de puto), por que você não cantou Born to be my baby, Someday I’ll be Saturday night, Bed of roses, IN THESE ARMS e THESE DAYS???

Eu não tenho dúvidas de que o público teria saído muito mais satisfeito, ao invés de cansados e (SIM) decepcionados.

Ironicamente, na peregrinação até o ônibus, num dos bares tocava Blaze of Glory, e me restou apenas cantar sozinha “I wake up in the morning and I raise my weary head...”, enquanto voltava para a casa exausta, mas feliz por 3 showzaços e meio. 

Saldo positivo, afinal. 




domingo, 1 de setembro de 2013

A culpa é do John Green

Há tempos que o Nicholas Sparks vem desentupindo as glândulas lacrimais das mulheres com suas histórias de amor melosíssimas, que sempre contam com uma morte trágica (de uns tempos p/ cá, as vítimas tem sido os personagens secundários ao invés de um dos protagonistas) e um final agridoce. Tais livros rapidamente viram filmes e as novas edições das histórias são lançadas com os atores nas capas sempre na mesma posição: um de frente p/ outro se olhando prestes a se beijar ou se abraçando.



A fórmula é a mesma desde sempre, e não estou aqui p/ criticá-la, afinal eu mesma já solucei lendo “Uma carta de amor” ou vendo “Um amor para recordar” e “O diário de uma paixão”, mas me parece que a popularidade do escritor aumentou expressivamente de uns tempos para cá. Nunca vi tantos livros dele em destaques nas livrarias, e o “rebuliço” que ele causou na Bienal corrobora para tal observação.  Mas por que comecei falando dele?

Porque me parece que John Green vai para o mesmo caminho, só que trazendo protagonistas adolescentes inclinados à melancolia e à reflexão. Seus personagens apaixonados costumam usar metáforas para expressarem seus medos, angústias, incertezas e reflexões quanto a morte. Provavelmente por isso que, por serem jovens e dispostos a viver intensamente, suas histórias também trazem um pouco da inconsequência típica da idade, remetendo aquela ideia de “carpe diem”, com viagens com amigos e coragem para fazer certas coisas das quais os protagonistas não fariam senão estivessem motivados por suas paixões e a vontade de criar momentos inesquecíveis. Pelo menos foram esses os pontos comuns que notei nos três livros que li.

Mas vou acabar sendo obrigada a apelar para os clichês e dizer que vocês vão rir e se emocionar com suas histórias. E provavelmente muitos vão chorar também... E é tudo culpa do John Green!

Para quem ainda não conhece, eis os livros do autor:


Quando o personagem de uma história tem câncer, normalmente o desenrolar da história mostra as dificuldades impostas pela doença além da associação da velha ideia, difundida exaustivamente, de “carpe diem” (como disse acima). Assim, ao receber um diagnóstico que lhe dá pouco tempo de vida, ele começa a “viver pela primeira vez” e a dar valor às pequenas coisas, etc.

Embora no fundo, "A culpa é das estrelas" mostre isso também, o livro é melancólico beirando ao pessimismo em muitas partes, dando um “choque de realidade” de vez em quando, como neste pedaço:
"Vai chegar um dia em que todos vamos estar mortos. Todos nós. Vai chegar um dia em que não vai sobrar nenhum ser humano sequer para lembrar que alguém já existiu ou que nossa espécie fez qualquer coisa nesse mundo. Não vai sobrar ninguém para se lembrar de Aristóteles ou de Cleópatra, quanto mais de você. Tudo o que fizemos, construímos, escrevemos, pensamos e descobrimos vai ser esquecido e tudo isso aqui vai ter sido inútil. Pode ser que esse dia chegue logo e pode ser que demore milhões de anos, mas, mesmo que o mundo sobreviva a uma explosão do Sol, não vamos viver para sempre. Houve um tempo antes do surgimento da consciência nos organismos vivos, e vai haver outro depois. E se a inevitabilidade do esquecimento humano preocupa você, sugiro que deixe esse assunto para lá. Deus sabe que é isso que todo mundo faz.”

Embora o tema não seja leve, John Green não apela para um dramalhão e no decorrer da leitura, faz referências a poemas como Nothing gold can stay de Robert Frost até à hierarquização de necessidades de Maslow, tornando a leitura rica.

O livro fictício "Uma aflição imperial" dá um toque especial e gera as reflexões mais belas dentro da história. Fiquei até com vontade de lê-lo.

E a história de Hazel e Gus vai virar filme. Preparem os lencinhos!


Sinopse: Após seu mais recente e traumático pé na bunda - o décimo nono de sua ainda jovem vida, todos perpetrados por namoradas de nome Katherine - Colin Singleton resolve cair na estrada. Dirigindo o Rabecão de Satã, com seu caderninho de anotações no bolso e o melhor amigo no carona, o ex-criança prodígio, viciado em anagramas e PhD em levar o fora, descobre sua verdadeira missão: elaborar e comprovar o Teorema Fundamental da Previsibilidade das Katherines, que tornará possível antever, através da linguagem universal da matemática, o desfecho de qualquer relacionamento antes mesmo que as duas pessoas se conheçam.

Uma descoberta que vai entrar para a história, vai vingar séculos de injusta vantagem entre Terminantes e Terminados e, enfim, elevará Colin Singleton diretamente ao distinto posto de gênio da humanidade. Também, é claro, vai ajudá-lo a reconquistar sua garota. Ou, pelo menos, é isso o que ele espera.

-> Achei o mais fraco de Green até o momento, mas é interessante a construção do Teorema e a tentativa de matematizar as relações, ou seja, procurar uma lógica em questões emocionais, o que não deixa de ser um paradoxo, né?


Sensível e cativante, como suas obras anteriores, em Cidade de Papel vemos novamente adolescentes reflexivos, apaixonados e melancólicos que tentam encontrar seu lugar no mundo e tem que lidar com as perdas da transição da adolescência para a fase adulta, da formatura no colégio para o que vem a seguir, que às vezes é algo muito incerto.

Na história, Quentin procura por Margo, sua vizinha e amor de infância, que após uma noite de aventuras com ele (ou seja, de novo aquela ideia de que o "carpe diem" é uma noite de inconsequências como invadir um parque a noite, a casa dos outros, etc), foge de casa, mas como não é a primeira vez que ela faz isso, ninguém sabe quando ela volta e desta vez, se ela vai voltar.

Encontrando pistas deixadas por ela, Quentin sai a procura de Margo numa viagem de carros com os amigos, algo que remete à "On the road" de Kerouac, na esperança de encontrá-la (viva ou morta).

Embora isso possa soar um tanto piegas (e é), às vezes é procurando o outro que nos encontramos e se fica alguma lição para o personagem (e quem sabe, para o leitor) é a percepção que nada acontece como a gente acha que vai acontecer e é preciso se colocar no lugar do outro para entender que, às vezes, mesmo não sendo o ideal (para nós), as coisas são como devem ser e isso significa saber "deixá-las partir".



É isso, até a próxima!