http-equiv=’refresh’ content=’0; Boulevard of Ideas: Junho 2013

quinta-feira, 27 de junho de 2013

A mídia e as manifestações no Brasil





Nos últimos dias, dois assuntos estão nas pautas de todos os jornalistas: as manifestações e a Copa das Confederações. Como não entendo e não estou acompanhando a Copa, vou me abster de qualquer comentário quanto a isso, mas gostaria de fazer algumas considerações quanto às manifestações.

Desde que o Brasil despertou depois de uma longa hibernação em berço esplêndido, há manifestações acontecendo em todo o país praticamente todos os dias. Desde os grandes veículos de comunicação até os menores, todos estão cobrindo diariamente os eventos e sendo alvos de críticas e até de agressões, quando vão para as ruas para cobrir as mobilizações. 

Percebi que muito deste ódio com a mídia chega a ser absurdo. Bradam que “Isso a mídia não mostra” a esmo, e descontam no repórter que está na rua, apenas fazendo o seu trabalho.

“Não mostrar” seria omitir. Quanto a isso, a explicação pode ser mais simples do que parece. Imagine UMA ou DUAS pessoas cobrindo uma mobilização com milhares nas ruas, percorrendo longos trechos da cidade. 

O repórter não é onipresente. Ele não mostrou, muito provavelmente porque ele não estava lá na hora que a tal ação truculenta aconteceu. Omitir seria estar no local e OPTAR por não mostrar. Até porque, como bem disse a jornalista Norma Couri: “Olhos de jornalista são olhos-veículo para o público ver o que não era para ser visto.”

Segundo nota oficial da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), manifestantes hostilizaram uma equipe da TV Record aos gritos, depois a pedradas, até incendiar um veículo de transmissão da emissora. Uma profissional da Band também foi atacada com um jato de vinagre no rosto durante a cobertura. Gritos contra meios de comunicação foram incorporados pelos manifestantes, que vaiam as equipes de televisão. 

"Atos de violência contra a imprensa colocam em risco o direito à informação de toda a sociedade. O trabalho de repórteres de quaisquer meios ou empresas é tão essencial à democracia quanto os protestos ora em curso."

Isso sem falar dos outros jornalistas que levaram tiros de balas de borracha...

Depois de ler muitos artigos do Observatório da Imprensa, além de ver / ler / ouvir os mais variados veículos, reproduzo aqui um trecho de um artigo da jornalista Sylvia Debossan Moretzsohn, que, sintetiza muito bem essa disseminação indiscriminada de conteúdo não apurado na internet, já que qualquer um pode compartilhar qualquer coisa, e derruba essa ideia ingênua para não dizer imbecil de que "a internet está mais confiável que os jornais e a TV".

"A proliferação de boatos ocorre com imensa facilidade porque a fluidez do mundo virtual o torna particularmente permeável a esse tipo de coisa. Além disso, as redes sociais são um reflexo do comportamento das pessoas na vida cotidiana, cuja característica é precisamente o automatismo, a reação irrefletida. Por isso não é possível, simplesmente, substituir a informação jornalística pelo que circula na internet, por mais que as redes também sejam uma riquíssima fonte de informação e expressão da criatividade e da irreverência diante da brutalidade e da opressão.

Mas, como sempre, é preciso filtrar para zelar pela credibilidade e combater o caos.

Por isso, cada vez mais, necessitamos de jornais – melhor dizendo, necessitamos de jornalismo, dessa atividade comprometida em mergulhar na turbulência do cotidiano para recolher dali as informações confiáveis e divulgá-las.

Jornalismo, entre várias coisas, é isso: o exercício do senso crítico no calor da hora. Por isso é tão difícil. Por isso é tão necessário. E por isso, também, é tão necessária a crítica ao jornalismo que descumpre seu papel."
Amém!

E só p/ esclarecer (?), para aqueles que odeiam tanto a Globo, a Veja,  ou seja lá o veículo que for, tenha em consideração que todo veículo é uma empresa e como tal, precisa de dinheiro para sobreviver. Todo veículo tem uma “linha editorial”, que é uma política predeterminada pela direção do veículo ou pela diretoria da empresa, que normalmente é formada por pessoas que não são jornalistas.

Essa linha editorial determina a lógica pela qual a empresa jornalística enxerga o mundo; indica seus valores, aponta seus paradigmas e influencia decisivamente na construção de sua mensagem (PENA, Felipe).

Sendo assim, a linha editorial pode ser considerada um “valor-notícia”, que determina a importância que um fato ou acontecimento tem para ser noticiado. É por isso que vão ter assuntos com maiores destaques num jornal do que no outro, por exemplo. E é também por isso que a posição de alguns veículos diverge na hora de mostrar o mesmo fato.

Em suma, vocês não precisam perder tempo odiando tanto e falando tanta besteira no processo, a solução é simples: senão concorda com a posição de um veículo, olha só que incrível, você pode escolher simplesmente não acompanhá-lo.

Concordam? Discordam? Não tão nem aí? Comentem ;D

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Copo de vidro

Esses dias eu li que passar quatro dias na natureza, sem tecnologias, aumenta em 50% a criatividade. Nesse caso, tô precisando de um retiro de um mês, porque tô sem inspiração alguma. Muitos dos meus textos, eu escrevia, ou tinha ideias, durante as aulas maçantes, mas agora que estou formada, o tédio é mais rapidamente preenchido, porque diferentemente das aulas, agora eu tenho p/ onde fugir.

Porém, como eu tenho apreço por esse blog e por quem tão benevolentemente me lê, procuro mantê-lo atualizado e acabo apelando p/ textos que estão na gaveta há tempos, mas que eu não tive coragem de postar antes por sabê-los muito ruins. Mas a falta de ideia é tamanha, que vai essa bagaça mesmo.

Reforçando que não há  a pretensão de fazer sentido, ou ser bom, ou quiçá de ser uma poesia.


Copo de vidro

Massa amorfa
Copo meio vazio
como pintura inacabada
ou uma música sem refrão

(até então)

Ganha forma
de tão completo, o copo transborda
Transforma
de iluminista para sociológico

Mas um dia, o copo derrama
todo seu conteúdo se esvai
ficam as gotas no vidro
e as marcas; impressões digitais.

E quando o copo cai
estilhaça-se pelo chão
alguns cacos cortam
outros se espalham; se vão.

Não há conserto.
Não há outro para repor na coleção.
A peça é rara
não se fabrica (mais não).

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Meu texto sobre Drummond foi publicado no Jornal Opção de Goiás, veja aqui!

E a revoltadinha ofereceu palavras de conforto no Dia dos Namorados...