http-equiv=’refresh’ content=’0; Boulevard of Ideas: O seguro que não morreu de velho

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

O seguro que não morreu de velho

Olá,

como eu havia previsto, a revoltadinha falou de Mulheres Ricas e BBB 13 mais atacada do que nunca...

Esse é o último post desse mês, porque em breve estarei com meu latte e sobretudo espalhando glamour pela quinta avenida, mas em fevereiro tô de volta. Não se desesperem!

Pelo título desse post, percebe-se a criatividade NOT do texto que se segue. Acho que todo mundo conhece um Haroldo, não?


O seguro que não morreu de velho

Haroldo acorda, senta-se na cama com as costas retas para se espreguiçar, calça o chinelo primeiro no pé direito (para não dar azar) e vai até o banheiro. Lava o rosto, urina, escova os dentes, lê o jornal enquanto sua mulher prepara o café. Bebe o café e come seu pão integral, mastiga-o trinta vezes antes de engolir. Beijo na mulher e sai para trabalhar.

Entra no carro e mesmo sendo o único a dirigi-lo, checa a posição dos espelhos, ajusta o banco, põe o cinto, verifica se o carro está em ponto morto. Liga o carro e dirige cuidadosamente até o trabalho. Respeita o sinal e diminui quando ele fica amarelo. Acelerar seria imprudente, pois poderia causar um acidente e matá-lo.

Meio-dia. Almoça pontualmente a marmita composta por legumes, verduras e uma carne branca assada. Tudo preparado por sua mulher. Não importa se tem fome ou não, obedece rigorosamente aos horários que estabeleceu para si, pois pensa que atrasar alguns minutos poderia comprometer o funcionamento de seu organismo já habituado à rotina. Não se dá ao luxo de comer fora, porque nunca se sabe como os alimentos são preparados. Poderia ser perigoso e matá-lo.

Mal chegou aos trinta anos, mas já planeja sua aposentadoria, economizando cada tostão do seu salário que não é gasto com as contas. Ao sinal de algo aparentemente estranho, uma tosse, uma coceira ou até mesmo um soluço que demore muitos minutos para passar, corre para o hospital. Está sempre fazendo check-ups, certificando-se de que está saudável e que ainda tem uma vida longa pela frente. “É melhor prevenir do que remediar”, já dizia sua sábia avó.

É sexta-feira e, como de costume, seus colegas saem do trabalho para tomar uma cerveja . Como sempre, recusa educadamente e atravessa a rua até o seu carro. Seu organismo não está habituado ao álcool e além disso, ele estava dirigindo. Até poderia pegar um táxi, mas seu carro poderia ser roubado, o mundo está muito perigoso...

Absorto neste pensamento, não percebe o motorista que vem a mais de 100 km/h na contramão.

Acertou-o em cheio. O motorista saiu ileso. Coitado do Haroldo! Logo ele, que sempre viveu uma vida regrada, foi vítima da imprudência alheia. Haroldo receava ousar e fazer coisas que só a juventude permite, pois temia como isso o afetaria a longo prazo. Mas a validade venceu.

E por ter tanto medo de morrer, não viveu.

Um comentário:

  1. Gostei do texto, conheço alguns caras assim por aí!
    Coitado mesmo do Haroldo! hahaha
    bjs

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