http-equiv=’refresh’ content=’0; Boulevard of Ideas: Novembro 2012

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Morte Súbita, o novo romance de J.K. Rowling


Não importa quanto tempo passe, a primeira coisa que virá a mente de qualquer pessoa ao se falar em J. K. Rowling será Harry Potter.

Eu imagino que deva ser extremamente difícil para um autor emplacar um novo sucesso depois de um fenômeno como esse, mas posso afirmar que ainda não foi dessa vez que J.K. conseguiu produzir algo tão bom.

Morte Súbita, ou The Casual Vacancy, é a antítese de Harry Potter: é um livro adulto, cheio de personagens fdps (nenhum cativante), capítulos curtos e fala sobre relacionamentos conflituosos entre pais e filhos, professores e alunos, adolescentes, etc.

Se os fãs da autora sonhavam em ir p/ Hogwarts, tenho certeza que nenhum vai ficar com vontade de se mudar p/ Pagford, cidade fictícia onde a história é ambientada.

Tudo começa quando Barry Fairbrother, membro do "conselho da paróquia" local, morre e seu lugar fica vago (daí o título do livro) para ser disputado por Miles, Cubby e Simon.

Conhecendo os personagens, dá p/ se ter uma ideia melhor da história:

Miles é filho de Howard (líder do conselho, obeso que sofre de problemas cardíacos e que tem um caso com Maureen) e Shirley (esposa devotada.. Até descobrir o affair do marido). Casado com Samantha, que é a típica esposa entediada que tá de saco cheio da vida dela com o marido, e desenvolve uma paixonite por Jake, que é membro de uma boyband que a filha dela é fã, além de beijar Andrew Price, amigo da sua filha de 16 anos.

Simon é casado com Ruth e é pai de Andrew e Paul. Ele agride a todos os membros da família com insultos e pancadas.

Colin "Cubby" Wall é o diretor da escola e sofre de TOC (transtorno obsessivo e compulsivo). É casado com Tessa, a 'psicóloga' da escola, com quem adotou Stuart "Fats" Wall, que é o típico babaquinha revoltado que faz bullying com a menina indiana da escola (Sukhvinder Jawanda) e se envolve com Krystal Weedon.

Krystal é filha de uma mãe viciada em heroína e cuida do seu irmão mais novo, Robbie.

Há mais personagens, mas esses são os principais.. Acho que já deu p/ perceber que esse livro poderia ser adaptado perfeitamente para uma novela das 21h, não?

Tem estupro, sexo no cemitério, overdose, mortes trágicas, filhos tentando ferrar seus pais postando coisas maldosas na internet, mas mesmo com todos esses exageros, o livro não te prende, não te faz perguntar 'e agora, o que acontece?'. Não tem clímax.

Desconfio que se não carregasse o nome da autora na capa, não entraria nem para a lista dos mais vendidos...

Pode ser que eu esteja equivocada, mas Morte Súbita me pareceu uma medida desesperada de Rowling para provar que saber abordar assuntos pertinentes da atualidade, e que não é 'só a autora de HP' (o que ao meu ver, já e coisa para caramba!).

Enfim, leiam e tirem suas próprias conclusões.

Hasta!

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Kiss in Rio


Os caras-pintadas do Kiss se apresentaram no último domingo na HSBC Arena do Rio de Janeiro e lá estava eu para conferir aquele circo dos horrores, no bom sentido da palavra.

Tinha desde crianças até 'jovens há mais tempo', que já passaram dos 50 anos, maquiados para conferir a banda mais trash e carismática de todas.

O quarteto abriu com Detroit Rock City, mas não antes sem uma entrada triunfal com direito a cortina caindo e eles descendo do alto do palco, além de muitas, muitas explosões o tempo todo.

Com músicas muito parecidas, todas escolhidas a dedo para serem cantadas em coro, estiveram no setlist sucessos como: Shout it out loud (mentalmente você provavelmente já está cantando SHOUT IT SHOUT IT SHOUT IT OUT LOOOOOUD), Calling Dr Love, Hell or Hallelujah e Wall of Sound, do último álbum Monsters.

Na sequência, Gene Simmons cospe fogo e começa o famoso Hey hey hey, yeah! de I love it loud, seguida do momento de destaque de Eric Singer e Tommy que soltam fogos enquanto são 'elevados', após Outta this world.

Quando você acha que já viu todas as artimanhas deles para entreter o público, eis que surge o tiozão mais figura de todos Gene Simmons cuspindo sangue (Kesha, aprenda como se faz!) e voando para acima dos refletores.


Do alto, Simmons canta God of Thunder e de volta ao palco, o Kiss canta Psycho Circus e War Machine. Em Love Gun, é a vez de Paul Stanley voar sobre o público até uma plataforma do outro lado da arena (exatamente em frente da onde fiquei).


A primeira parte é encerrada com Black Diamond.

Com mais fogos, eles voltam para cantar Lick it up, I was made for lovin' you e a tão esperada Rock n' roll all night que encheu a arena com uma tempestade de papeis e lógico, mais fogos e explosões antes do fim de mais uma passagem do Kiss pelo Brasil.

Quem é fã amou, as crianças que acompanharam os pais se encantaram e até aqueles que estavam lá para fazer cia, com certeza, riram e se divertiram bastante.



MAS faltaram as minhas músicas preferidas: Forever e God gave rock n' roll to you que tocou enquanto o povo ia embora. Custava ter cantado essa ao vivo?

E agora? Que venha a Madonna para encerrar o ciclo de shows de 2012!

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Deus a abençoe

Olá,

é, resolvi mudar o visual do blog de novo porque o outro demorava p/ carregar... O que acharam?

Achei esse texto que fiz há um tempinho e não sei porque cargas d'água resolvi postar agora, provavelmente porque estou sem criativade para pensar num post.

Só p/ não acharem que é só mais um texto meu ruim, uma breve contextualização: aqui em Petrópolis, tem um quiosque de café numa galeria e é só você sentar ali, que vem sempre alguma criança pedindo para você comprar uma bala. Por mais que todo mundo ache isso uma encheção de saco e é, eu sempre fico incomodada não só pela situação em si, mas porque dar ou não um real, ou seja lá qual for o valor ínfimo cobrado, não vai fazer diferença nenhuma na vida daquela pessoa. Talvez só te ajude a dormir melhor a noite achando que fez uma boa ação, ou nem isso..

Enfim, como isso aqui não é nenhum divã, vamos ao texto:

(a imagem é meramente ilustrativa, peguei no google e nem sei aonde é. Se 'fere' os direitos autorais de alguém, desculpa ae)

Deus a abençoe

Um café.

Mulheres com seus casacos quentes e botas de couro de cano alto bebericam seus cappuccinos fumegantes enquanto tagarelam sobre futilidades. Riem, divertem-se.

Homens de paletós, com suas pastas negras, discutem acaloradamente questões de seus negócios enquanto engolem o café preto, sem ao menos sentir seu gosto, pois estão atrasados para alguma reunião.

Adolescentes que acabaram de sair das aulas se reúnem ao redor de uma única mesa pequena, gargalham e comem pão de queijo.

Uma criança maltrapilha timidamente se aproxima e pergunta: “Moça, compra uma bala?”.
Numa fração de segundos ocorre o choque entre dois mundos. Enquanto a criança me fita com aquele olhar triste, esperando uma resposta, mil coisas se passam pela minha cabeça.

Comprar uma bala poderia ser o sustento de uma alcoolatra que obriga esta criança a trabalhar para fomentar seu vício. Ou aquele dinheiro pode ser a única renda de uma família que depende da caridade alheia para sobreviver dia após dia. Ou ainda aquela moeda de 1 real pode ser o estímulo que aquela criança precisa para se acostumar a mendigar e nunca sair da inércia, pois seu olhar triste e a aparência desleixada comovem.

1 real passa a ter um valor imensurável e cabe a mim pagar o preço ou não. Quero eu pagar o preço de uma vida?

Aqueles olhos de infância perdida continuam me encarando. Minha hesitação lhe consome seu tempo. Tempo é dinheiro.

Compro a bala.

“Deus a abençoe”, ela fala.

Sorrio e a observo partir para a próxima mesa, seguindo resignada com as consecutivas negativas que recebe.

Diante de tal cena, ateia que sou, faço uma prece silenciosa quando vou embora.

Que Deus a abençoe!