http-equiv=’refresh’ content=’0; Boulevard of Ideas: Julho 2012

domingo, 29 de julho de 2012

Criação

Olá,

bom, como estou sem ideia para pensar no tema da minha monografia, imagine para uma postagem para esse blog, então o texto de hoje é apenas mais uma criação das minhas horas de ócio e reflexão.


Criação

Deus criou a luz. Luz esta que de tão clara não ilumina, e quando forte, ofusca. Mas não acabou com a escuridão. Continua sendo mais escuro antes do amanhecer.

Houve separação entre águas e águas. Mas não do joio e do trigo.

Por que?

Criou o dia e a noite. Criou as estações. Criou os animais. Criou as pessoas.

Para que?

No sétimo dia, Ele descansou. O tempo é relativo.

Estaria Ele ainda descansando?

Ao pensar no sentido da vida, o mais perto de uma resposta que consigo é a definição de um dicionário – “Vida: espaço de tempo compreendido entre o nascimento e a morte”.

O que não é nem um pouco esclarecedor, então procuro por morte - cessação definitiva da vida.

Frustrante, não? Duas palavras tão fortes e tão cheias de significado resumidas a isso, mas talvez seja simples assim. Talvez não haja respostas para as grandes questões, nem um sentido divino.

Somos e simplesmente estamos.

Mas quem sou eu para questionar isso tudo? Logo um eu, com letra minúscula diante dEle.

Ele, O criador. eu, criatura.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

A insustentável leveza do ser

Confesso que há não muito tempo, para mim, Milan Kundera era apenas mais um nome do pensador.uol com frases brilhantes. Um belo dia me recomendaram a leitura de "A insustentável leveza do ser", título este que sempre me intrigou, e o li há uns 4 meses e hoje vi o filme.

Surpreendentemente, por não ser o tipo de leitura o qual estava habituada, amei o livro!

Estamos acostumados com aqueles romances ideais, onde a traição põe fim aos relacionamentos e depois de sofrerem muito, as protagonistas sempre acham um homem que as coloque num pedestal, as ame incondicionalmente e que sejam fieis.

Kundera não. Todos os seus personagens são adúlteros e não por isso, amam menos ou o seu amor, não tem valor.

Abordando conceitos que vão do 'eterno retorno' de Nietzche, o último movimento do último quarteto de Beethoven, acasos, Édipo, Parmênides, o conceito de kitsch até a merda como problema teológico, Milan nos leva à reflexões profundas sobre o ser, sobre como conduzimos a nossa vida e o que nos motiva a agir de certa forma, através de Tomas, Tereza, Sabina e Franz. Isso soou petulante, mas enfim...

Tereza e Tomas são o exemplo de um dos casais mais imperfeitos que já li, mas com um amor infinito. Com eles aprendemos (por que não?) que a felicidade, para ambos, era estarem juntos - "A tristeza era a forma, e a felicidade o conteúdo. A felicidade preenchia o espaço da tristeza" e que "o amor é o desejo dessa metade perdida de nós mesmos".

Percebemos que com a traição vem a compaixão e que esse é o sentimento mais pesado para se sentir - "Não existe nada mais pesado que a compaixão. Mesmo nossa própria dor não é tão pesada quanto a dor co-sentida com outro, por outro, no lugar de outro, multiplicada pela imaginação, prolongada por centenas de ecos".

O que eu mais gostei foi poder mergulhar na vida dos quatro personagens e através deles, ser conduzida (convidada?) a pensar sobre assuntos que até então teriam passado batidos por mim. Muito delicado e muito bonito ;D

Já o filme...

Difícil adaptar uma história como essa, até porque o melhor dela está justamente na parte filosófica, nas referências.. Já no filme, isso se perde um pouco e acaba se tornando uma história sobre Tomas pegando geral e seus vários relacionamentos amorosos.

Se eu não tivesse lido o livro, provavelmente não teria gostado do filme. Teria achado longo demais, cansativo e chato. Não gostei da Juliette Binoche como Teresa, achei que ela fez papel de retardada, sinceramente. Os outros atores mandaram bem, só o Franz que teve uma participação muito secundária, poderia ter sido melhor aproveitado... Mas eu não entendo nada de adaptação p/ cinema...


Enfim, se for p/ comparar os dois, o filme ficou muito superficial.. Mas só vendo e lendo p/ saber, certo? Então, aproveitem as férias p/ isso ;D

That's all, folks :*

segunda-feira, 9 de julho de 2012

The Newsroom e Os imperfeccionistas

Não sou a primeira e nem serei a última pessoa do planeta a questionar completamente escolhas que fazemos da vida, principalmente quando se refere ao futuro profissional. Fiz a escolha certa? Combina comigo? Tenho talento para tal? Vou ganhar dinheiro? e a principal para mim: vai me fazer feliz?

Dalai Lama uma vez disse (frase batida de internet, nem sei se foi creditada corretamente, mas enfim) que o que mais lhe surpreendia na humanidade eram os homens "porque perdem a saúde para juntar dinheiro. Depois perdem dinheiro para recuperar a saúde e por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem do presente de tal forma que acabam por não viver nem o presente nem o futuro. E vivem como se nunca fossem morrer... E morrem como se nunca tivessem vivido."

Independência financeira e sucesso profissional parecem ser as prioridades do homem moderno (desculpem-me pelo pedantismo), mas isso tudo só me faz questionar 'p/ quê'? Vou acabar apelando p/ clichê que a realização pessoal não tem preço e dinheiro é consequência, e talvez eu prefira acreditar mesmo nisso já que escolhi me formar em jornalismo.

Decisão esta que constantemente questiono e tenho uma relação de amor e ódio que não consigo explicar. Ser formador de opinião é uma grande responsabilidade e é tão bonito, né? Servir de intermediário entre o poder público e o povo, denunciar e a maior ambição de todos nós: fazer a diferença. Mas chega de idiossincrasias por aqui, hoje vou recomendar um livro e uma série que pelo menos p/ mim, mostram bem os sentimentos descritos acima ao falarem da rotina de jornalistas em diferentes setores de suas respectivas redações.


Sinopse: Acompanhe os bastidores de um canal de notícias a cabo ficcional na nova série de Aaron Sorkin (The West Wing). Jeff Daniels é Will, o âncora das notícias, personagem que precisa juntamente com sua equipe, colocar no ar todos os dias os acontecimentos do mundo. Além de conviver com os obstáculos corporativos e comerciais, a equipe também deve lidar com os dilemas da vida pessoal de cada um.

-> Após a exibição de 2 episódios, a série já foi renovada para 2ª temporada, demonstrando que agradou até aqueles que não são da área, porque de fato é boa. Por enquanto só assisti ao primeiro episódio e achei excelente, pois já de cara aborda a repercussão de um jornalista (que até então nunca tinha dado sua opinião publicamente sobre nada) que resolve falar o que realmente pensa quando entrevistado num programa; a prioridade que se dá às notícias; apuração; rivalidade na redação; fontes e tudo aquilo que engloba a profissão. Vale a pena assistir ;D


Os Imperfeccionistas - Tom Rachman

Sinopse do Skoob: Numa redação em Roma, reúnem-se um freelancer em fim de carreira repleto de problemas familiares, uma editora paranóica que odeia seu trabalho, um jornalista mais preocupado com seu cachorro do que com o jornal, uma temperamental editora-chefe que acabou de descobrir que o marido é infiel... Estes e muitos outros precisam conciliar suas vidas particulares com a agitada rotina do trabalho. Com a Guerra no Afeganistão e Iraque, o colapso no clima e o paradeiro de Bin Laden ainda desconhecido, a equipe tem muito com o que se ocupar. Mas para os funcionários desta redação, a melhor manchete são suas vidas privadas. Este grupo imperfeito faz de Os imperfeccionistas mostra como de forma divertida e crua os bastidores do mundo das notícias. E seus arautos — a consciência moral de uma era —, os novos jornalistas.


-> Problemas financeiros, competição, entrevistas, revisão, editorias relegadas e relacionamento com fontes são alguns dos temas abordados em histórias que não só falam da rotina profissional de cada um, como também abordam como isso os afetam em suas relações pessoais. Entre um capítulo e outro, ele ainda conta a história da fundação do jornal e sua transformação através dos anos.

É interessante pois ele foca nos personagens e em suas vidas pessoais, tendo o jornal apenas como a única ligação entre todos eles. Deveria ser leitura obrigatória de tão bom que é! LEIAM!

E vocês, me recomendam algo?