http-equiv=’refresh’ content=’0; Boulevard of Ideas: Permanência

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Permanência

Olá,

sempre penso quinhentas vezes antes de postar textos meus mais 'literários' aqui. Por mais que eu escreva p/ mim, não me sinto segura expondo-os, já que eu sei que não são bons o suficiente (não tô pedindo por elogios e nem discordâncias, é só a constatação de um fato depois de longa análise e reflexão hahahaha). Taí um dom que eu realmente queria ter: o da escrita. E causar nas pessoas a sensação que Quintana (salve!) tão sabiamente escreveu uma vez: "Um bom poema é aquele que nos dá a impressão de que está lendo a gente, e não a gente a ele."

Tô longe de ser uma boa escritora, mas vendo as estatísticas daqui do blog de minhas criações, realmente fiquei surpresa. Provavelmente o grande número de acessos se deu pelas buscas no google, onde as pessoas procuravam por termos (que coincidentemente eram nomes dos meus textos) e caíam aqui. Seja como for, bons ou ruins, são meus e decidi postar mais um hoje simplesmente porque me deu na telha. E como já dizia Thoreau - "A opinião pública é uma tirana débil, se comparada à opinião que temos de nós mesmos" (e sim, uma das razões de eu adorar citações vem da minha frustração de não ser capaz de fazer uma tão boa quanto hahahahaahahah).

Normalmente eu produzo quando o tédio vem associado a um sentimento de melancolia (como é bem notório), e assim como outros (vide Sala de aula), esse texto também foi produzido em sala de aula, depois da minha professora ter contado a história de como ela ficou viúva. O brilho nos olhinhos dela relembrando do marido e aquela tristeza que o tempo não cura, só torna possível a convivência, me comoveram. Então o resultado é esse aí:


(é redundante dizer que afoto é meramente ilustrativa, né? Todo post meu tem que ter uma ilustração porque eu gosto xD)

Permanência

Um belo dia, ao acordar e esperar que tudo corra como o de costume, que os hábitos sejam repetidos na rotina de cada um, um acontecimento muda tudo. Alguém simplesmente não volta para a casa.

A pilha de louça permanece suja na pia, o sapato continua virado, a roupa estendida no varal, a poeira cobre os móveis, as contas se acumulam, a cama desfeita, o relógio tiquetaqueando.

Ficam as fotos.

As fotos vão ficando amareladas e são comidas por cupins. Nem as lembranças são duradouras. A memória se esvai, mas o coração ainda bate e lembra. Cada batida lembra a existência do que é e do que já foi, bombeando alegrias e tristezas.

Até que um dia também se morre.

Mais uma pilha de louça acumulada, mais contas, roupas, poeira e fotos.

Fica a saudade.

2 comentários:

  1. Gostei! Coloque sempre textos seus aqui, torna o blog mais pessoal, o leitor conhece um pouquinho mais de você ;)
    bjs

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  2. Os posts que eu mais gosto são os que você coloca seus textos. Apesar de você dizer que não escreve bem, nunca vi um texto seu que não fosse bom. De verdade. Não precisa se explicar, não de justificativas: tenho certeza que o seu texto basta e que os leitores gostam muito.

    Eu pelo menos gosto, como gostei muito desse.

    Beijos!

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