http-equiv=’refresh’ content=’0; Boulevard of Ideas: Fevereiro 2012

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Quem foi Shakespeare?

"Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o que, com freqüência, poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar".

Ser ou não ser não é a questão. A questão é: Quem foi Shakespeare?

No dia 23 de abril de 1564 , em Stratford-Upon-Avon, nasceu William Shakespeare. Filho de um próspero fabricante de luvas que já teve problemas com a lei por manter uma grande quantidade de estrume na frente da casa da família e ter sido processado por vender lã no mercado negro, John (o pai) viu seu status social declinar gradualmente a um ponto em que a sua requisição para um brasão da família foi rejeitada pelo College of Heralds. Tempos mais tarde, William escolheu o tema "Non sanz droit" (Não sem direito) para seu brasão.

Devido ao vocabulário imenso de aproximadamente 29.000 palavras diferentes (quase cinco vezes maior que a grande versão do Rei Jaime em cima da Bíblia), a identidade do poeta vem sido questionada ao longo dos anos, pois os críticos não acreditam que uma pessoa comum do século XVI, sem qualquer conhecimento educacional elevado, pudesse ser tão bem fluente na Língua inglesa, e muito menos em política, direito e em línguas estrangeiras – o latim, por exemplo, presente em obras como Hamlet.
Dentre os 'candidatos a Shakespeare', destacam-se: Francis Bacon, Christopher Marlowe, William Stanley (6º Conde de Derby) e Eduardo de Vero (17º Conde de Oxford), que é o candidato mais popular atualmente.

O questionamento sobre quem escreveu as peças mais aclamadas da literatura nunca será respondido, mas vocês podem se deliciar com as teorias aqui.

O filme Anônimo aborda Edward de Vere como sendo o verdadeiro autor das peças, durante o contubardo período de sucessão da Rainha Elizabeth I e das rebeliões inglesas.

Excelente filme e muito interessante. Super indicado para quem se interessa por essa questão ;D

Poeta ou não, o verdadeiro William Shakespeare existiu e se casou aos 18 anos com Anne Hathaway, que tinha 26 anos, e teve filhos com ela e com outras também. Um dos fatos curiosos sobre ele é que por volta de 1585, Shakespeare some do mapa, retornando aos registros históricos somente em 1592.

Shakespeare emprestava dinheiro a juros e processava para receber de volta, e também comprou ações de participação do Globe Theater, o que o ajudou a se tornar um homem rico. Ele morreu no dia de seu aniversário, em 1616, com 52 anos.

Tendo sido um beberrão que traía a mulher, ou um conde não importa. Tais fatos não tiram o brilhantismo de um gênio que presenteou várias gerações com grandes obras e que conseguiu se imortalizar por suas palavras. Pois, se "ser grande é abraçar uma grande causa", ele a abraçou.

*Algumas informações deste post foram retiradas do livro "A vida secreta dos grandes autores" de Robert Schnakenberg. Excelente, por sinal ;D

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Um pouquinho de Clarice

É mais do que clichê colocar citações de Clarice Lispector nas redes sociais, mas não vou bancar a falsa moralista criticando quem faz isso, porque eu faço e muito. Gosto de compartilhar palavras bonitas e que de certa forma me trazem conforto, pois sou a maior fã de quem consegue transpor em palavras aqueles sentimentos tão íntimos e inomináveis, mas que quando descritos, não há como não se identificar. Na minha humilde opinião, Clarice fez isso melhor do que ninguém.

Uma caminhada, um gesto, uma observação.. Ações cotidianas e banais que por nós, passam batidas, levavam-na às mais profundas reflexões, como no texto a seguir, do livro "Felicidade Clandestina". Espero que cause o mesmo impacto em vocês ;D (é grande, mas garanto que vale a pena)

Perdoando Deus

Eu ia andando pela Avenida Copacabana e olhava distraída edifícios, nesga de mar, pessoas, sem pensar em nada. Ainda não percebera que na verdade não estava distraída, estava era de uma atenção sem esforço, estava sendo uma coisa muito rara: livre. Via tudo, e à toa. Pouco a pouco é que fui percebendo que estava percebendo as coisas. Minha liberdade então se intensificou um pouco mais, sem deixar de ser liberdade. Tive então um sentimento de que nunca ouvi falar. Por puro carinho, eu me senti a mãe de Deus, que era a Terra, o mundo. Por puro carinho mesmo, sem nenhuma prepotência ou glória, sem o menor senso de superioridade ou igualdade, eu era por carinho a mãe do que existe. Soube também que se tudo isso "fosse mesmo" o que eu sentia - e não possivelmente um equívoco de sentimento - que Deus sem nenhum orgulho e nenhuma pequenez se deixaria acarinhar, e sem nenhum compromisso comigo. Ser-Lhe-ia aceitável a intimidade com que eu fazia carinho. O sentimento era novo para mim, mas muito certo, e não ocorrera antes apenas porque não tinha podido ser. Sei que se ama ao que é Deus. Com amor grave, amor solene, respeito, medo e reverência. Mas nunca tinham me falado de carinho maternal por Ele. E assim como meu carinho por um filho não o reduz, até o alarga, assim ser mãe do mundo era o meu amor apenas livre. E foi quando quase pisei num enorme rato morto. Em menos de um segundo estava eu eriçada pelo terror de viver, em menos de um segundo estilhaçava-me toda em pânico, e controlava como podia o meu mais profundo grito. Quase correndo de medo, cega entre as pessoas, terminei no outro quarteirão encostada a um poste, cerrando violentamente os olhos, que não queriam mais ver. Mas a imagem colava-se às pálpebras: um grande rato ruivo, de cauda enorme, com os pés esmagados, e morto, quieto, ruivo. O meu medo desmesurado de ratos. Toda trêmula, consegui continuar a viver. Toda perplexa continuei a andar, com a boca infantilizada pela surpresa. Tentei cortar a conexão entre os dois fatos: o que eu sentira minutos antes e o rato. Mas era inútil. Pelo menos a contigüidade ligava-os. Os dois fatos tinham ilogicamente um nexo. Espantava-me que um rato tivesse sido o meu contraponto. E a revolta de súbito me tomou: então não podia eu me entregar desprevenida ao amor? De que estava Deus querendo me lembrar? Não sou pessoa que precise ser lembrada de que dentro de tudo há o sangue. Não só não esqueço o sangue de dentro como eu o admiro e o quero, sou demais o sangue para esquecer o sangue, e para mim a palavra espiritual não tem sentido, e nem a palavra terrena tem sentido. Não era preciso ter jogado na minha cara tão nua um rato. Não naquele instante. Bem poderia ter sido levado em conta o pavor que desde pequena me alucina e persegue, os ratos já riram de mim, no passado do mundo os ratos já me devoraram com pressa e raiva. Então era assim?, eu andando pelo mundo sem pedir nada, sem precisar de nada, amando de puro amor inocente, e Deus a me mostrar o seu rato? A grosseria de Deus me feria e insultava-me. Deus era bruto. Andando com o coração fechado, minha decepção era tão inconsolável como só em criança fui decepcionada. Continuei andando, procurava esquecer. Mas só me ocorria a vingança. Mas que vingança poderia eu contra um Deus Todo-Poderoso, contra um Deus que até com um rato esmagado poderia me esmagar? Minha vulnerabilidade de criatura só. Na minha vontade de vingança nem ao menos eu podia encará-Lo, pois eu não sabia onde é que Ele mais estava, qual seria a coisa onde Ele mais estava e que eu, olhando com raiva essa coisa, eu O visse? no rato? naquela janela? nas pedras do chão? Em mim é que Ele não estava mais. Em mim é que eu não O via mais. Então a vingança dos fracos me ocorreu: ah, é assim? pois então não guardarei segredo, e vou contar. Sei que é ignóbil ter entrado na intimidade de Alguém, e depois contar os segredos, mas vou contar - não conte, só por carinho não conte, guarde para você mesma as vergonhas Dele - mas vou contar, sim, vou espalhar isso que me aconteceu, dessa vez não vai ficar por isso mesmo, vou contar o que Ele fez, vou estragar a Sua reputação. ... mas quem sabe, foi porque o mundo também é rato, e eu tinha pensado que já estava pronta para o rato também. Porque eu me imaginava mais forte. Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões, é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil. É porque eu não quis o amor solene, sem compreender que a solenidade ritualiza a incompreensão e a transforma em oferenda. E é também porque sempre fui de brigar muito, meu modo é brigando. É porque sempre tento chegar pelo meu modo. É porque ainda não sei ceder. É porque no fundo eu quero amar o que eu amaria - e não o que é. É porque ainda não sou eu mesma, e então o castigo é amar um mundo que não é ele. É também porque eu me ofendo à toa. É porque talvez eu precise que me digam com brutalidade, pois sou muito teimosa. É porque sou muito possessiva e então me foi perguntado com alguma ironia se eu também queria o rato para mim. É porque só poderei ser mãe das coisas quando puder pegar um rato na mão. Sei que nunca poderei pegar num rato sem morrer de minha pior morte. Então, pois, que eu use o magnificat que entoa às cegas sobre o que não se sabe nem vê. E que eu use o formalismo que me afasta. Porque o formalismo não tem ferido a minha simplicidade, e sim o meu orgulho, pois é pelo orgulho de ter nascido que me sinto tão íntima do mundo, mas este mundo que eu ainda extraí de mim de um grito mudo. Porque o rato existe tanto quanto eu, e talvez nem eu nem o rato sejamos para ser vistos por nós mesmos, a distância nos iguala. Talvez eu tenha que aceitar antes de mais nada esta minha natureza que quer a morte de um rato. Talvez eu me ache delicada demais apenas porque não cometi os meus crimes. Só porque contive os meus crimes, eu me acho de amor inocente. Talvez eu não possa olhar o rato enquanto não olhar sem lividez esta minha alma que é apenas contida. Talvez eu tenha que chamar de "mundo" esse meu modo de ser um pouco de tudo. Como posso amar a grandeza do mundo se não posso amar o tamanho de minha natureza? Enquanto eu imaginar que "Deus" é bom só porque eu sou ruim, não estarei amando a nada: será apenas o meu modo de me acusar. Eu, que sem nem ao menos ter me percorrido toda, já escolhi amar o meu contrário, e ao meu contrário quero chamar de Deus. Eu, que jamais me habituarei a mim, estava querendo que o mundo não me escadalizasse. Porque eu, que de mim só consegui foi me submeter a mim mesma, pois sou tão mais inexorável do que eu, eu estava querendo me compensar de mim mesma com uma terra menos violenta que eu. Porque enquanto eu amar a um Deus só porque não me quero, serei um dado marcado, e o jogo de minha vida maior não se fará. Enquanto eu inventar Deus, Ele não existe.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

10 coisas que você pensa, mas que ficaria chato dizer

Olá,

o post de hoje são alguns cartões que eu selecionei do Yourecards e que trazem frases bem realistas que nós não teríamos coragem de dizer por aí, mas que no fundo é o que pensamos. Achei irreverente. Espero que gostem =)

Obs: como ninguém é obrigado a saber inglês, no final do post eu os "traduzi" livremente ;D

Obs2: a verdade tinha que ser dita (ou postada)xD



Se você não sabe o que são Crocs, clique aqui.



















1 - "Uow, é um par de Crocs bonito" - disse ninguém.
2 - Obrigada por fingir não me ver quando eu estava fingindo não te ver para evitar aquele papinho furado e chato que nenhum de nós queria ter.
3 - Desculpe, mas eu estou criando cenários perfeitos na minha mente, que nunca se tornarão realidade.
4 - Oh, desculpe.. O meio da minha frase interrompeu o início da sua?
5 - Facebook me lembra constantemente que pessoas mais feias do que eu estão se casando.
6 - Sua bunda deve ter inveja de tanta merda que sai da sua boca.
7 - Aparência não é importante. Eu estou julgando o seu gosto musical.
8 - As pessoas pensam que eu sou quieta porque sou tímida, mas na verdade eu estive silenciosamente julgando vocês e posso afirmar com propriedade que todas vocês são vadias.
9 - Por que 'paciência' é uma virtude? Por que 'Anda logo, porra!' não pode ser uma virtude?
10 - Você poderia, por favor, arrumar alguns amigos e parar de postar fotos suas fazendo pose em frente ao espelhodo banheiro no facebook?